O corpo de uma pianista
brasileira desaparecida há 15 anos - e há pelo menos uma década
procurada pela Interpol - foi encontrado na tarde desta sexta-feira
(13) em Buenos Aires. Ele estava sob o assoalho de um apartamento
no primeiro andar de um prédio em pleno centro portenho, na Avenida
Corrientes, 951, a meio quarteirão do Obelisco, o monumento-símbolo
da capital argentina.
O apartamento fica entre as
Ruas Cerrito e Suipacha, área onde se concentra grande parte dos
teatros da capital argentina. O setor, com grande movimento de
pedestres, é frequentado por portenhos e turistas. Mas os prédios
residenciais da área são considerados decadentes.
A polícia, que não divulgou o
nome da brasileira, indicou que ela teria sido assassinada em 1997
por seu marido, um argentino. O homem morreu três anos depois do
desaparecimento da pianista, aos 60 anos, por problemas pulmonares.
A Polícia Federal argentina realizará exames de DNA para comprovar
a identidade da vítima.
Após a morte do argentino, o
apartamento foi vendido em 2001 aos atuais donos. Os restos mortais
da pianista - que tinha 50 anos na época da morte - foram
encontrados por um grupo de operários que estavam levantando o
assoalho de um dos quartos do apartamento. Ao verem os ossos, os
pedreiros se assustaram e chamaram a polícia.
Carteira
O cadáver, do qual somente restavam ossos e cabelos, estava
embrulhado em um lençol, "em avançado estado de decomposição",
segundo a polícia argentina. Ao lado do corpo, investigadores
encontraram uma carteira com documentos da brasileira
desaparecida.
Segundo eles, não era possível
fazer uma análise rápida das lesões que teriam provocado a morte da
mulher, já que o estado do corpo não propiciava maiores pistas.
Policiais indicaram que os dados sobre sua morte ficarão claros
somente após a necropsia.
De acordo com a polícia
argentina, em 1997, quando a brasileira desapareceu, seu marido
explicou que os dois haviam tido "problemas de casal" e ela havia
voltado ao Brasil. Mas a família da pianista nunca mais teve
notícias dela, fato que levou seus parentes a denunciar o
desaparecimento na Interpol.
A polícia argentina suspeita
que o namorado argentino da pianista brasileira foi o autor do
assassinato. Ele teria enterrado o corpo na própria casa, cobrindo
os restos mortais com uma capa de cimento. Para arrematar, colocou
um novo assoalho.
Família
Fontes policiais ainda disseram
que a família da pianista brasileira foi informada sobre a
descoberta do cadáver. Parentes devem viajar para Buenos Aires nos
próximos dias, acompanhados por integrantes da Polícia Federal do
Brasil.